Minimizado o impacto da pandemia nas academias

Imagem ilustrativa de algumas telas do aplicativo ONFIT

O desafio

Desafio solucionado como UX Designer com o objetivo de mostrar como estruturei e desenvolvi a pesquisa, bem como a solução proposta.

Como promover a geração de receita para as academias em paralelo com a nova rotina de treinos no contexto da pandemia?

O cenário atual

A pandemia do Covid-19 fez com que houvessem quedas superiores a 90% nas vendas de novos planos fitness, em vários estados do Brasil.

A musculação é a segunda atividade física mais praticada entre os brasileiros, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2017, elaborada pelo Ministério da Saúde. O fechamento das academias por causa das restrições sanitárias de combate à Covid-19 gerou um grande impacto não só para as empresas, mas também para o consumidor. Clique aqui para ler os dados divulgados no Brasil de Fato.

Por conta das medidas de distanciamento social para conter o Covid-19, as academias do país registraram uma queda mensal de 77% no faturamento nos meses de abril e maio em comparação com os meses de janeiro, fevereiro e março. Os dados são da EVO W12, empresa especializada em software de gestão para o universo fitness. Clique aqui para ler os dados divulgados no InfoMoney.

No Brasil, as plataformas digitais voltadas para o universo saudável tiveram um aumento de 226% de instalações não-orgânicas e 116% de aumento nas instalações orgânicas, segundo um estudo feito pela AppsFlyer.

Diante dos impactos gerados pela pandemia, empresas do ramo investiram em conteúdos online para que as pessoas pudessem continuar treinando.

Objetivo do projeto

A plataforma foi desenvolvida com o objetivo de unificar os serviços relacionados tanto à vida fitness, quanto à saúde, buscando incentivar os usuários a manterem seus hábitos saudáveis e seu vínculo com a academia.

Com o estabelecimento da quarentena, as academias foram fechadas e algumas pessoas começaram a se exercitar em casa. A reabertura também trouxe algumas dúvidas quanto às questões sanitárias, deixando muitos alunos com receio de voltar a treinar em um espaço compartilhado.

A plataforma possibilita que o aluno mantenha o vínculo com a academia, podendo treinar no seu tempo e do seu jeito.

Usuários

Apenas 32% da população adulta do país, frequentam academias — sendo 80% pertencentes as gerações Z (nascidos entre 1994–2002) e Millenials (nascidos entre 1979–1993). Mais da metade dos novos clientes de academias tem menos de 30 anos e a idade média dos alunos que já frequentam as academias no Brasil é de 36.4 anos. Clique aqui para conferir os dados da pesquisa da LesMills.

Muitos usuários alegam que a frequência nas academias ocorre de maneira limitada, já que são muito ocupados, a academia está sempre lotada ou os horários de abertura são incompatíveis com a rotina.

Para ambas as gerações, as academias são o segundo lugar favorito para se exercitar, perdendo apenas para o uso online e por meio de aplicativos — já que os mesmos oferecem maior liberdade e flexibidade.

Perfil dos usuários

Temos dois possíveis perfis para essa plataforma:

  • Diogo Ramos, o proprietário que precisa lidar com os prejuízos causados pelo período de fechamento das academias e também com o retorno dos alunos com a reabertura e as inovações tecnológicas para mantê-los diante da atual questão sanitária causada pelo COVID-19;
  • Letícia Santos, a aluna que treinava todos os dias e agora precisa adequar sua nova rotina de home office com os hábitos saudáveis, agora praticados em casa;

A persona principal escolhida para o desenvolvimento da plataforma foi a Letícia Santos.

Perfil da persona principal: Letícia Santos

Era uma vez a Letícia, uma mulher de 28 anos, publicitária e praticante assídua de exercícios físicos. Todos os dias, Letícia acordava cedo e ia para a academia treinar, antes de ir para o trabalho.

Em Março de 2020, uma pandemia mundial transformou a vida e a rotina das pessoas. O isolamento social se fez necessário e as pessoas tiveram de se adaptar principalmente no contexto das atividades coletivas como, por exemplo, na academia.

Com o home office, Letícia parou de sair de casa totalmente, deixando de lado os treinos e sua rotina saudável. Ela começou a buscar opções que a motivassem a desenvolver essa rotina junto ao home office e se habituar a treinar sozinha. Tentou várias opções mas nada trazia aquela mesma motivação de antes, muito menos a vontade de retornar ao hábito.

Até que finalmente encontrou a plataforma que possibilitava que ela adequasse os treinos de acordo com a sua rotina do home office.

Letícia agora poderá treinar, no conforto e segurança da sua casa, contando com a academia e todo o suporte necessário.

Primeira etapa de validação

Para essa etapa, realizei uma pesquisa quantitativa para levantamento de dados iniciais, fiz uma análise e aprofundarei com a pesquisa qualitativa, visando validar as dúvidas e hipóteses.

As informações foram obtidas com a metodologia de matriz CSD (certeza, hipóteses e dúvidas) em paralelo à escala de priorização de suposições e dúvidas com base no impacto x nível de conhecimento:

Pesquisa quantitativa

Nesta etapa, os usuários responderam à pesquisa quantitativa que foi divulgada em três grupos do facebook. Ao todo, 76 pessoas responderam a pesquisa.

Seria interessante a participação de um número maior de usuários, porém, os dados colhidos dos usuários entrevistados servem como validação deste projeto enquanto objeto de estudo. São eles:

  • 73,7% é feminino;
  • 50% possui entre 26 e 35 anos;
  • 64,5% está trabalhando em home office desde o início da pandemia;
  • 84,2% acredita na importância de um acompanhamento nutricional;
  • 55,3% não se sente motivado para se exercitar na pandemia;
  • 56,6% tiveram suas inscrições canceladas;
  • 72,4% não tiveram os treinos atrapalhados pelo home office;
  • 57,9% está se alimentando melhor;
  • 56,6% consegue conciliar treino e trabalho;

Pesquisa qualitativa

A pesquisa qualitativa constitui a segunda etapa. Informações reais, de usuários reais são ideais para evitar suposições e sanar dúvidas. As respostas cedidas por voluntários serviram para validação de alguns aspectos primordiais.

As entrevistas foram feitas email e ligação via celular. Os entrevistados foram voluntários da pesquisa quantitativa que responderam de maneiras divergentes questões sobre seus hábitos fitness/saudáveis e home office durante a pandemia.

1- O que melhoraria sua organização quanto a nova rotina de treino/trabalho em casa?
2- Qual o principal motivo que te levou a cancelar sua inscrição na academia durante a pandemia?
3- Quais são suas motivações para treinar em casa?
4-
Como você se motivaria mais?

As respostas obtidas, mostraram como as pessoas estão enfrentando a questão dos exercícios físicos x pandemia e quais são as suas principais dores, revertidas em oportunidades de negócio.

A pesquisa mostra que 35% dos usuários cancelaram suas inscrições nas academias, enquanto 36,8% não frequentavam academia mesmo antes do aparecimento do COVID-19. Em contrapartida, a preocupação com a saúde e a qualidade de vida advindas de hábitos saudáveis, representou 37,1% dos resultados apresentados.

Assim, conseguimos concluir que:

  • Boa parte dos usuários enxergam a atividade física e acompanhamento nutricional como meios de promoção de saúde, qualidade de vida e bem-estar;
  • Ter uma companhia, incentivo, disciplina e uma rotina pré-estabelecida com possibilidades flexíveis favorece a prática, principalmente em casa;
  • Treinar em casa é a melhor opção durante a pandemia, por oferecer menor risco de contágio;
  • Desafios e relatos de pessoas que transformaram seus hábitos tem grande poder motivador;
  • O ato de manter o corpo em movimento como extremamente benéfico para a saúde mental e essencial em períodos tão longos de isolamento social, como o que vivemos.

Alternativas de solução

Com a validação das pesquisas, percebe-se que a maioria das pessoas não pretende manter seus contratos com as academias com a eminente ameaça de contágio, ainda que as mesmas sigam os protocolos de segurança contra o COVID-19. A retenção dos alunos diante deste cenário foi afetada, fazendo com que houvesse a necessidade de readaptações atrativas e seguras por parte das academias.

O objetivo do projeto é promover uma maneira de incentivar hábitos saudáveis, com uma rede de incentivo, para que as pessoas se mantenham motivadas e desafiadas a buscar o seu melhor, evitando o sedentarismo.

A análise foi realizada através de uma matriz de ESFORÇO x IMPACTO preenchida com as oportunidades de negócio identificadas na pesquisa qualitativa.

Pensando na solução

Após concluir as estapas de pesquisas, comecei a ideação da solução através de esboços e anotações feitas no papel.

RABISCOFRAMES

BENCHMARK

Realizei a pesquisa para entender o mercado e conferir os aplicativos semelhantes e a conclusão foi de que a maioria deles tem o foco de oferecer treinos online através de vídeos gravados. Os aplicativos que trabalham com esse tipo de serviço não oferecem uma opção para que diversas academias ofereçam seus treinos em uma única plataforma.

Analisando todo o material captado até agora e o brainstorm, cheguei a algumas possíveis soluções:

  • Opção de treino online com um amigo através de videochamada;
  • Treinos oferecidos por diversas academias;
  • Acompanhamento nutricional;
  • Rede de motivação e incentivo para compartilhar resultados com os amigos;

WIREFRAMES

GUIA DE ESTILOS

Utilizei a psicologia das cores para definir a paleta de cores, seguindo para o estudo tipográfico e dos outros elementos que compõe o layout. A fonte utilizada é a Inter, elaborada e projetada para telas digitais.

O PROTÓTIPO

Concluindo o processo de criação, desenvolvi o protótipo — ainda em estágios iniciais para fins de estudo. Abaixo, confira o teste de usabilidade com o protótipo criado a partir das telas principais.

REALIZAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

A conclusão deste trabalho marca mais um passo da minha recente imersão no mundo do UX/UI Design, iniciada através do curso UX Design: Teoria e Prática na Belas Artes de SP, seguida pelo curso UI/UX Design Basics Experience & Prototype no Cel.Lep em parceria com o Facebook e pelo curso UX Unicórnio com o Leandro Rezende. Migrar para a área de UX representa um novo desafio, cheio de possibilidades e novos conhecimentos, agregando na minha experiência como designer.

Mariana Proença Alves
maaproalves@gmail.com

LinkedIn: Clique aqui
Behance: Clique aqui

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UX Designer | User Experience

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